Agora: Na imprensa

O sociólogo coimbrão Elísio Estanque acaba de publicar mais um artigo de jornal dedicado às forças sociais presentes em Portugal e alhures, neste caso a “Juventude: da rebelião à adaptação” (Público, 22.Ago.2018). É um texto interessante, bem construído e (obviamente) bem informado, daqueles poucos que ainda vão aparecendo na imprensa diária e que valem a pena ser lidos, reflectidos e comentados. Bem haja, pois, o jornal Público por, a espaços, nos proporcionar essas oportunidades e se encontrar agora sob a direcção de um jornalista cuja qualidade aprecio (Manuel Carvalho) e ter ido buscar à concorrência uma colega experimentada (Ana Sá Lopes) que passa muito mal na rádio como comentadora mas escreve frequentemente com grande acutilância e propriedade (como acontece no editorial que assina na mesma edição).

Mas o meu contra-ponto de hoje refere-se à ideia talvez subjacente no texto de Estanque – e apenas circunstancializada para o caso do baby-boom do segundo pós-guerra «como uma impressionante força propulsora de mudança […] culminando com o Maio de 68 francês, símbolo máximo da rutura geracional com o statu quo de então» – de que a juventude, pela sua «irreverência e rebelião», poderia ser a força social promotora de novas mudanças societais, como o movimento dos trabalhadores o foi durante mais de um século.

Não discordo em absoluto de nada do que é afirmado. Mas, tendo-me nos últimos anos dedicado ao estudo de alguns aspectos particulares da história da nossa Modernidade e frequentemente encontrado referências às atitudes e comportamentos sociais dos “jovens”, gostaria de lembrar a postura passiva que foi geralmente a deles nos períodos das devastadoras guerras em que foram “carne para canhão”; e, em sequência cronológica, o entusiasmo que puseram na adesão aos projectos políticos totalitários que a Europa desgraçadamente então gerou.

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Photo by Kaique Rocha on Pexels.com

Na nossa geração, tais posicionamentos inverteram-se; mas não seria surpreendente que os próximos vindouros venham a conhecer novidades neste campo, que podem não ser desejáveis para o conjunto da humanidade.

JF / 24.Ago.2018

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