De 1966 a 1971: alguns eventos para os contextos e algumas publicações | Eduardo Medeiros

1966 | 1967 | 1968 | 1969 | 1970 | 1971

14(Nota: depois da minha chegada à Bélgica, em 1966, fui adquirindo na «La Vieille Taupe» em Paris, e nos «bouquinistes» em Bruxelas, livros e brochuras de anos anteriores, de que menciono aqui alguns títulos,os que dizem respeito ao que ficou dito mais acima:

* Marxisme contre Dictadure, Rosa Luxembourg. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Nº 7, Juillet 1946.

* Le testament de Lénine. Paris, Spartacus, Cahiers Les Égaux, Nº 4, Avril 1947.

* Grève Générale. Parti et Syndicats, Rosa Luxembourg. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Oct-Nov 1947.

* La Commune de Varsovie (Trahie para Staline, massacré para Hitler). Z. Zaremba. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Nº 16, Avril 1947.

* La dictadure du prolétariat, Th. Dan et J. Martov. Pris, Éditions de la Liberté, 1947 (Préface de J. Arrès-Lapoque).

* La vie héroique de Rosa Luxembourg + La Révolution Russe. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Mai 1948.

* Spartacus et la Commune de Berlin, 1918-1919. Testaments politiques de Rosa Luxembourg et de Karl Liebknecht. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Nº 15, Oct-Nov 1949.

* Réforme sociale ou Révolution, Rosa Luxembourg. Moscou, Éditions en langues étrangères, 1959 ( ?).

* Socialisme ou Barbarie (Organe de critique et d’orientation Révolutionnaire), Paris. Nº 20, Vol IV (8e année), déc 1956-février 1957 ; Nº 21, Vol IV (9e année), mars-mai 1957 ; Nº 32, Vol VI (13e année), avril-juin 1961 ; Nº 38, Vol VIII, 16e année, octobre-décembre 1964.

* D’un réalisme sans rivages. Picasso, Saint-John Perse, Kafka). Roger Garaudy. Paris, Plon, 1963 (Préface d’ Aragon).

* Mozambique: Le sens anticulturel de la politique coloniale portugaise (Ses reflets dans l’évolution du pays et ses colonies), par Virgílio de Lemos, Separata da revista Remarques Africaines, Nº 249, 22 septembre 1965.

*Pastilha (1961-1965) com: Artigos em jornais estrangeiros sobre o problema africano (português) + Semaine de Solidarité Ibérique: La lutte du peuple portugais contre le fascisme.

* L’Insurrection hongroise. Questions aux militants du P.C.F. L’insurrection hongroise. Publié par Socialisme ou Barbarie.

* Arguments, 5e Année, Nº 23, 3e trimestre 1961. [Chine sans Limites. (…) Du mythe chinois, par Edgar Morin, etc.).

* La crise sexuelle, par William Reich (Policopiado)

* Refutando a chamada “Unidade de Acção” da nova direcção do P.C.U.S. (Pequim, 1965).

* Viva a vitória da Guerra popular, Lin Piao (Pequim, 1965).

* Una Revolución sin rostro. Edgar Morin (Cultura y Acción Libnertaria, Folheto nº 4)

* Suisse: Encore une “paix sociale” qui s’écroule devant l’attaque ouvrière.

* Lettre à Fidel, du Che, 1965.

* Demande d’expulsion des delegués fascists et colonialist portugais. Memorandum adressé à la 50e Conference de l’Organisation International du Travail [Sindicatos Livres]. 1965).

Solidarité Internationale
Solidarité Internationale, 181-182 (1971)

1966


Ainda em finais de 66, os estudantes latinos e africanos de Leuven continuavam excitados: Em Janeiro fora criada em Havana a Organização de Solidariedade dos Povos da Ásia, África e Amarica Latina, a OSPAAAL.

No dia 1 de Março, foi iniciado o bloqueio naval ao porto da Beira (Moçambique) pela marinha britânica, por causa da Declaração Unilateral (branca) da Independência da Rodésia (do Sul), em 11 de Novembro de 1965. Os britânicos queriam mostrar (a fingir) que não deixavam os portugueses ajudar Ian Smith!

Em Lourenço Marques, capital de Moçambique, foi dissolvido o Centro Associativo dos Negros de Moçambique (que tinha na época15 mil associados). Depois do início da luta armada (1964) a ofensiva colonial contra associações, igrejas, clubes negros tomou amplitudes extraordinárias. Tanto este, como o evento anterior foram divulgados em Leuven.

Mas em Maio, chegaram da China notícias estranhas e extraordinárias! Fora constituído o primeiro Comité da Revolução Cultural na Universidade de Tsinghua com o objectivo de eliminar toda a oposição a Mao Tse Tung. Começava assim a Revolução Cultural, que teve um enorme impacto entre os jovens na Europa.

Foi em Outubro de 1966, numa reunião do Comité Central, que a FRELIMO decidiu que a mulher moçambicana devia participar mais activamente na Luta de Libertação Nacional, em todos os níveis, incluindo no militar.

Publicações

* Leur morale et la nôtre, par Léon Trotsky. Paris, J.J. Pauvert Éditeur, (Libertés 45), [1939] 1966 (Traduction Victor Serge).

* Revolution Española – Revista teórica y politica del Partido Comunista de España (M-L). Madrid, Editions Vanguardia Obrera, Nº 1, Ano 1, 4º Trimestre, 1966.

* L’Étudiant Nº 4, 1966. (Portugal: l’espoir s’évanouit, le conflit renaît)

* Angola: Agonie de l’Empire et crise du Nationalisme, par Mario de Andrade, in: Remarques Congolaises & Africaines, nº 14, 11.07.1964.

* Le Portugal d’aujourdhui, par Antoine de Portocalis, in: Remarques Africaines (Bruxelles), n.º 263, 6/04/1966

* Le Point, (Bruxelles), Nº3, novembre 1965; Nº 2, janvier 66;  Nº 3, mars 1966; Nº 4, Avril/mai 66 ; Nº 5, octobre [Louvain : un tournant], Nº 6, novembre1966. (Direction et Rédaction Jean-Claude Garot)

* La lutte sexuelle des jeunes, par Wilhelm Reich. Paris,  (traduit de l’Allemand), 1966.

* Les ligues paysannes au Brésil (suivi de «le Brésil, « pays chrétien »), por Francisco Julião. Paris, Maspero, 1966.


1967

No dia 13 de Março de 1967, D. Manuel Vieira Pinto, ex-Padre na Diocese do Porto e responsável pelo “Movimento por um Mundo Melhor” foi sagrado Bispo de Nampula.

A 13 de Maio, o Papa Paulo VIº visitou Fátima.

No dia 17 de Maio, a LUAR, de Palma Inácio, assaltou uma agência do Banco de Portugal na Figueira da Foz.

A 6 de Agosto foi inaugurada a Ponte Salazar (hoje 25 de Abril) sobre o rio Tejo.

Em 24 de Setembro, reabertura do campo de concentração do Tarrafal a fim de receberem prisioneiros políticos: os mais importantes e dirigentes dos movimentos nacionalistas e anti-fascistas.

No fim de Novembro, grandes cheias no vale do Tejo que provocam destruição e mortes.

O jornal inglês Sunday Telegraph do dia 10 de Dezembro divulga o escândalo dos Ballets Roses em Lisboa.

Em Setembro, chegam à Suíça nacionalistas moçambicanos fugidos de Moçambique, uns através de Portugal.

Publicações

* «La société du spectacle», par Guy Debord. Paris, Buchet / Chastel,  1967.

* La Lutte de Libération Nationale dans les Colonies Portugaises. Ed. CONCP (La Conference de Dar Es-Salaam). Alger, juin 1967, 229 p + mapas hors-texte. (Guerra Colonial).

* Le Mozambique. Information du CONCP. Alger, CONCP, 1967, 96 p. (Libération des Colonies Portugaises). (Cx. Guerra Colonial).

* «Les Nationalistes du Mozambique», par Coplin Legum, in: Études Congolaises, 1967, X, n.º3, pp. 41-45 [Traduit de Toward Freedom, vol. XVI, n.º 2, feb. 1967]. (Cx. Guerra Colonial).

* Poesia (Antologia Temática), por Mário de Andrade. Argel, 1967, 2ª Edição, 326p.

* De la misère en milieu étudiant (considérée sous ses aspects économique, politique, psychologique, sexuel et notamment intellectuel, et de quelques moyens pour y remédier), par membres de l’Internationale Situationniste et des étudiants de Strasbourg), 1967.

* Catecismo do trabalhador, por Paul Lafargue. Edições Cultura Popular. (1967)

* Le Vecteur! Nº 0, 1967. [Au lecteur / S.E.E.P.E. ! / D’un engagement contradictoire / Lettre ouvert au Pape / IX Congres  U.I.E.

* Noir et Rouge (Cahiers d’études anarchistes, nº 39-40, 1967. + nº 46, 1970.

* L’Eveil (The Afro-Asian writers Bureau (Colombo), Septembre 1967.

* L’Exploité (Pauvre mais honnête, 1er journal fondé par J. Jacquemotte), Nº 1, juin 1967; Nº 13, sept. 1967.

* En Avant! Périodique du Mouvement de la Jeunesse Communiste de Belgique. Nº 11, mars 1967.

* Périodique de l‘ AUCAM, Fév. 1967 (Les provinces d’outre-mer: Tiers-Monde et Catholicité; Évolution ou Révolution?).

*He Died [Filipe Magaia] for Freedom, by Marcelino dos Santos, September 1967.

* Le Point, (Bruxelles) Nº 7, Janvier 1967; Nº 12, 1967, Nº 17, Nov. 1968. (Direction et Rédaction Jean-Claude Garot)

* Histoire de la Commune de 1871 (III), par Prosper-Olivier Lissagaray. Paris, François Maspero, 1967.


1968

De 5 de Janeiro a 21 de Agosto de 1968 ocorreu a chamada Primavera de Praga – um período de liberalização política na Tchecoslováquia durante a época da sua dominação pela União Soviética após a IIª Guerra Mundial. Esse período começou a 5 de Janeiro de 1968, quando o reformista eslovaco Alexander Dubcek chegou ao poder, e durou até o dia 21 de Agosto, quando a União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram o país para interromper as reformas. A maioria dos estudantes moçambicanos abandonou na altura a Checoslováquia.

Segundo Camilo Mortágua[1] «por volta do fim-de-semana de 14 de Janeiro de 1968», realizou-se em Bruxelas uma reunião promovida pela LUAR, na qual participaram alguns refugiados das colónias. A reunião foi decidida para Bruxelas (Commune d’Watermal) porque, segundo Mortágua, residia ali um importante grupo de apoio às iniciativas do movimento. «Naquele tempo – exclamava revoltado – quem não fosse comunista não era democrata!». «Quem defendesse os reais interesses dos povos colonizados e a necessidade de criar condições para, como co-responsáveis pelo estado em que eles se encontravam, sermos nós, os democratas portugueses, a desfazer aquilo que o colonialismo português tinha feito, garantindo condições para que os colonizados pudessem aceder a genuínas e pacíficas independências… era colonialista! Dadas as urgências interessadas em entregar a outros patronos os territórios do “velho e anacrónico colonialismo português” (camufladas pela capa ideológica da solidariedade internacionalista, falsamente despida de interesses materiais e imperialistas) quem ousasse moderar as pressas interessadas, era reaccionário e suspeito pró-colonialista. O tempo e a dinâmica destes processos, os milhões de mortos e os desastres económicos e tecnológicos causados pelos conflitos de interesses exógenos a África e pela ignorância dos novos colonizadores totalmente desconhecedores dos contextos tropicais, vieram confirmar que as maiorias da época eram, no mínimo, inconscientes e alheias aos reais interesses dos povos colonizados. Ter razão antes do tempo tem as suas consequências… compreende-se, mas ignorar o que o tempo se encarregou de evidenciar é má-fé ou sectarismo primário».

No dia 22 de Março teve início a contestação estudantil em Nanterre, que se prolongará até ao Verão.

A 4 de Abril de 1968 foi assassinado em Memphis, Tennessee, EUA, Martin Luther King.

No dia 11 de Abril de 1968, o mais conhecido e influente líder estudantil alemão, Rudi Dutschke, foi baleado na cabeça quando ia de bicicleta comprar medicamentos para o seu filho. Levado de urgência para o hospital sobreviveu até falecer por alturas do Natal de 1979.

No mês de Julho realizou-se no Niassa, Moçambique, o IIº Congresso da FRELIMO. Nesse congresso foi decidido criar um Destacamento Feminino.Por essa época foram abertas novas frentes de guerrilha da FRELIMO nos distritos de Tete e Zambézia.

No dia 5 de Junho de 1968 foi assassinado no hall central do Hotel Ambassador, em Los Angels, o senador Robert F. Kenedy, senador, que andava em campanha para a eleição presidencial.

Segundo o Boletim de Informação das Forças Armadas Portuguesas, só no mês de Agosto as tropas coloniais em Moçambique estiveram envolvidas em 9.460 acções contra os guerrilheiros da FRELIMO.

A 27 de Setembro de 1968, Salazar foi substituído por Marcelo Caetano no cargo da Presidência do Conselho. A defesa de África continuou a ser a prioridade de Lisboa, tendo sido uma das condições impostas pelo Presidente da República, Américo Tomás, para o nomear, deixando claro que isso lhe fora “ditado” pelas Forças Armadas.

013A maioria dos amigos ultramarinos e Caetano encolheu os ombros. Mas alguns ficaram esperançados nalguma mudança. No entanto, Caetano manteve como ideia programática uma expressão que apontava para o prosseguimento do espírito do Estado Novo, se bem que com outro discurso e nova cosmética: “Renovação na Continuidade”. Falou-se, assim, da “Primavera marcelista”, que em boa parte foi contraditada pela prática policial e censória e pela impossibilidade manifesta de realizar reformas de fundo, motivo por que a “ala liberal” que entrou na Assembleia Nacional pela União Nacional (UN, o “partido único” do Estado Novo, depois intitulado Acção Nacional Popular, ANP), com esperança de poder renovar o regime, acabou por sair derrotada.

Entre 1967 e 1970, o esforço de guerra em Moçambique deslocou-se de novo para Cabo Delgado, verificando-se o decréscimo progressivo no Niassa. O dispositivo militar português articulava-se em quatro sectores operacionais, com sedes em Vila Cabral (Sector A) e Marrupa (Sector E) ambos no Niassa, em Porto Amélia (Sector B) correspondendo a Cabo Delgado, e em Tete (Sector F). Em 1968, a FRELIMO dispunha de unidades constituídas pelas Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM) no Niassa e em Cabo Delgado. Foi ainda neste ano que o movimento nacionalista introduziu em Moçambique armamento pesado em grandes quantidades.

Publicações

* «Che» Guevara parle. (Créer deux, trois … de nombreux Vietnam, voilà le mot d’ordre ! (Introduction d’ Ernest Mandel). Bruxelles, ( !!!). 1968 ?

* L’Irruption de Nanterre au Sommet, Henri Lefebvre. Paris, Éditions Antrhopos, 1968 (Sociologie de la Révolution)

* Les origines du fascisme, Robert Paris. Paris, Flammarion, 1968.

* Histoire du Parti Communiste (Bolchévik) de l’URSS. Fascicule d’Education Communiste Nº 1, Paris, Editions Git-le-Coeur.1968.

* Contre l’Université bourgeoise! (20 mai 1968)

* La situation en Europe, juillet 1968, par Edoarda Masi (dos Quaderni Rossi).

* Guérilla – Revue du Comité Anti-imperialiste Che Guevara (Liège), Nº 1, Octobre 1968.

* Mai – Revue mensuel, décembre 1968, nº 1. (Liège)

* Rupture Expressionaliste. Qui enterrerons-nous? Le pouvoir ou le Contre-pouvoir? (Juin 1968)

* Clarté (…au service du peuple…), 12 janvier 1968 (Organe Central du Parti Communiste (Marxiste-Leniniste) de Belgique.

* Le Syndicalisme: de l’institution à la bureaucratie, par René Lourau, in: L’ Homme et la Société, revue internationale de recherches et de synthèses sociologiques, Nº 10, Oc/Novº/Decº 1968pp. 173-190.

* Pastilha 1966-1968 com Recortes de jornais sobre questões coloniais e portuguesas.

* Le courrier du Vietnam, 5e Année, Nº 149, fev 1968, Nº 150, fev 1968.


1969

Realizou-se a 18 de Janeiro, em Kartum, a Conferência Internacional de Solidariedade para com os povos das Colónias Portuguesas e da África Austral. Por estes dias, o Comando Português fez a apreciação geral da situação militar em Moçambique, referindo números estatísticos relativamente à acção da FRELIMO. Entretanto, em Tete, o movimento nacionalista não descurava a actividade de propaganda e de recrutamento com o objectivo de alastrar a guerrilha.

A 3 de Fevereiro de 1969 foi assassinado Eduardo Mondlane em Dar-es-Salam. No dia seguinte, 4 de Fevereiro, em Lisboa o Diário da Manhã abria a primeira página com destaque para a morte do «[…] chefe terrorista», afirmando que «o dirigente da FRELIMO fora abatido em Dar-es-Salam por uma Bomba Relógio […] vitima de um elemento da própria organização pertencente à facção maoísta». Também o Jornal de Notícias, do Porto, noticiou que fora «morto por uma explosão o chefe da FRELIMO», mas sem adiantar muitas informações sobre as causas da morte.

No início de Abril começou uma greve estudantil na Universidade de Coimbra.

E na FRELIMO, após a morte de Mondlane, foi formado no mês de Abril um triunvirato para dirigir o movimento composto por Samora Machel, Marcelino Santos e Uria Simango.

Em 8 de Abril de 1969, Marcelo Caetano iniciou visita a Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

Em Abril de 1969, o Comité Central da FRELIMO decidiu que a Liga Feminina de Moçambique (LIFEMO) deveria fundir-se completamento com o Destacamento Feminino.

Em Junho, o Comité de Descolonização da ONU condenou Portugal pela presença nas colónias.

As ondas de choque que a morte política de Salazar em Agosto do ano transacto provocaram dentro da Igreja continuavam a chegar ao Niassa. Depois do caso do padre Felicidade, foi a exigência de largos sectores católicos, no sentido do fim do exílio do bispo do Porto, a 10 de Janeiro, mais de dois mil católicos daquela diocese assinam uma exposição, dirigida a todos os bispos portugueses: «…esperamos de Vossas Excelências Reverendíssimas aquela acção que a Justiça e a Caridade evangélicas pedem, a qual acreditamos já esteja em curso, em ordem a vermos entre nós, no governo efectivo da sua Diocese, o nosso Bispo ausente». O exemplar do manifesto enviado para Vila Cabral chegou às mãos da polícia. D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, regressará a Portugal em Julho. Entretanto, o Papa Paulo VI visitou o Quénia e o Uganda. Para que D. Eurico, bispo de Vila Cabral, e o seu colega de Quelimane, D. Francisco Teixeira pudessem deslocar-se a esses dois países africanos necessitavam de um averbamento no passaporte. Consultada a direcção da PIDE em Lisboa, em Julho, o pedido foi autorizado. Contudo, a viagem acabou por ser cancelada, em virtude de uma informação chegada do Uganda prevendo uma manifestação hostil por parte da FRELIMO. D. Eurico estranhou que Angola e Moçambique não tivessem sido convidadas para o Simpósio dos Presidentes das Conferências Episcopais de África, a ter lugar pela mesma ocasião no Uganda. O protesto foi endereçado ao núncio apostólico em Lisboa: «É pena que personalidades eclesiásticas de elevada responsabilidade na Igreja não consigam abrir caminho direito, libertando-se de pressões ou considerações políticas.» O Verão foi aproveitado por D. Eurico para ir à Metrópole. As novas moçambicanas chegavam-lhe através do irmão, José Maria, professor primário: «A maior novidade foi que as tuas cartas não aparecerem… Vieram todas num dia…» Quanto à guerra, «não está a melhorar, antes pelo contrário. O Meirim de Moçambique» – como chamava ao general Kaulza de Arriaga, o novo homem-forte da colónia – «não está a cumprir aquilo que prometeu».

Em 1969, Arnaldo Matos ganhou as eleições para a direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito de Lisboa à frente de uma lista da Esquerda Democrática Estudantil: derrotou então uma lista inspirada pelo PCP e encabeçada por Alberto Costa.

As Brigadas Revolucionárias (BR) assaltam uma agência do banco do Bulhosa, em Paris.

No início de Outubro começou a construção da barragem de Cabora Bassa.

            A 5 de Novembro, Uria Simango foi suspenso do triunvirato da FRELIMO.

A PIDE mudou de nome, passou a chamar-se Direcção-Greral de Segurança (DGS).

Com o falecimento de Eduardo Mondlane e o subsequente afastamento de Uria Simango da direcção, a FRELIMO passou a ser dirigida por uma corrente que a si própria se designava de linha revolucionária. Esta corrente tinha uma componente militar, representada por Samora Machel, como presidente e comandante das forças armadas, e uma componente política em que pontificavam as figuras de Marcelino dos Santos e de Joaquim Chissano (com formação adquirida na União Soviética), este último responsável pela segurança, havendo ainda figuras «revolucionárias» que orbitavam em redor da nova direcção da FRELIMO, como Jorge Rebelo, Sérgio Vieira, Óscar Monteiro, entre outros. A componente política da linha revolucionária assumia-se como sendo de orientação marxista-leninista, tendo sofrido influências de círculos pró-chineses na Europa e na Argélia e numa altura em que ainda prevalecia como válida a corrente estalinista. Essa componente permaneceu fiel à tendência estalinista, interpretando as denúncias de Nikita Khrushchev, que a conta-gotas lhe chegavam tardiamente de Moscovo, como uma “auto-crítica” aos inevitáveis “erros de percurso”. Foi esta componente que, após a Independência de Moçambique, influenciou a orientação ideológica da República Popular de Moçambique, apostada numa economia planificada, e procedeu à redefinição do não-alinhamento, rejeitando o princípio da equidistância, aliando-se a Moscovo e Havana na defesa do conceito de que o chamado bloco socialista foi sempre parte integrante do Movimento dos Não-alinhados.

No dia 26 de Outubro de 1969, houve eleições para a Assembleia Nacional (NA) em Portugal, tendo sido eleitos diversos deputados da ala liberal: Sá Carneiro, Miller Guerra, Pinto Balsemão, José Pedro Pinto Leite, Magalhães Mota e Mota Amaral. A lista da oposição por Moçambique era formada por António de Almeida Santos, Francisco Saraiva Barreto, Heliodoro Sebastião Frescata, Luís Alberto Mayor Gonzalez, Rafael Nunes de Carvalho, Rui Baltasar dos Santos Alves. O facto de Luís Alberto Mayor Gonzalez ter um nome não português deu pretexto para que fosse exigido aos candidatos desse ano um «certificado de nacionalidade», o que invalidou as candidaturas.

Em Dezembro deste ano, o Comando Militar Português anunciava que no Distrito do Niassa o número de acções dos nacionalistas tinha decrescido consideravelmente, abrandando também o índice de agressividade. Ao invés, no distrito de Cabo Delgado parecia haver a intenção da FRELIMO avançar para sul do rio Messalo.

Publicações

* Grèves sauvages, spontanéité des masses. Rosa Luxembourg et F. Mehring. Polémique avec Vandervelde. L’expérience belge de grève générale. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Nº 30, Décembre 1969.

* Les trois sources du marxisme. L’œuvre historique de Marx. Karl Kautsky. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, Nº 35, Mai 1969. [Préface de Lucien Laurat, La contestation : Pierre Guillaume (Idéologie et lutte de classes), Jean Barrot (Le «renégat» Kausty et son disciple Lénine).

* Les anarchistes espagnols et le pouvoir, par César M. Lorenzo. Paris, Éditions du Seuil, 1969.

* La situation de la mujer, Carlos Castilla del Pino. Madrid, Editorial Ciencia Nueva, 1968.

* Eduardo Chitlangu Chivambu Mondlane, 1920-1969. Genève-Afrique, Vol. VIII, n.º1, 1969, pp. 46-49. (Guerra Colonial).

*La voix des Peuples en Lutte [Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Eduardo Mondlane], déclarations à “La Voix de la Liberté”, émetteur du F.P.L.N. du Portugal, en Alger, Janvier 1969. 16 p mimeo. (Guerra Colonial).

* Invariance, Année II, n.º 7, Juillet-Septembre, 1969 [La revolution communiste. Thèses de travail. Textes à l’appui: Gauche Communiste d’ Italie, K.A.P.D., Partis Communistes des Etats-Unis, Pannekoek, Corter, Lukàcs, Sylvia Pankhurst, etc.]

* Notes pour une analyse de la révolution russe, Brochure publié par l’ auteur Jean Barrot. Paris, “La Vieille Taupe”, 1969 (Policopiado).

* «Grèves sauvages et syndicats / sur l ‘organisation / Le mouvement étudiant», Révolution Internationale, n.º 3 (Toulouse).

* Informations / Correspondance Ouvrières. Paris, N.º 83, Juillet 1969, n.º 85 Septembre 1969, n.º 86 Octobre 1969, n.º 87, Novembre 1969, n.º 88, Décembre 1969.

* Liaisons, n.º 1 (Bruxelles), Décembre 1969.

* La Poésie africaine d’expression portugaise (Evolution et Tendances actuelles), por Mário de Andrade. Paris, P. J. Oswald, 1969, 151p.

* Internationale Situationiste, nº 10, 11,

* Révolution Internationale, Nº 3, décembre 1969. [Grèves sauvages et Syndicats; Sur l’organisation; Le mouvement Étudiant].

* Vanguardia Obrera (Organo del Comité Central del Partido Comunista de España (M-L), Año III, Nº 28; Año V, Nº 47, 1969.

* Gauche – Socialiste et Révolutionnaire, 13 Année, Nº 5, 1 Fev. 1969.

* Tierra Y Lbertad. Nº 317 Extraordinario, Junio 1969 (México).

* Problemas de la Revolucion Española. Algunas “Notas Políticas de la Revolución Española (1936-1937), por Juan Andrade, Suplemento del Numero 171 de «La Batalla», 1969.

* A nos ordures réifiées! (Le Comité des 42, 12 juillet 1969).

* Pourquoi des médecins? (Nantes, mars 1969).

* Le Libertaire – Journal Anarchiste, Nº 8, mai 1969. (Liège).

* Invariance. Publication Trimestrielle, Année II, juillet-septembre 1969, Nº 7: La Révolution Communiste. Thèses de Travail. Textes à l’apui: Gauche Communiste d’Italie; K.A.P.D.; Partis Communistes des Etats-Unis; Pannekoek; Corter; Lukàcs; Sylvia Pankhurst, etc. [O comunismo conselhitas; “Programme Communiste” et la mquestion algerienne, etc.

* Notes pour une analyse de la Revolution Russe (par des Communiste de Gauche, luxembourguistes), Bruxerlles, Juin 1969 (Seconde Edition).

* Dossier sur les colonies portuaises, préfacé par le chanoine François Houtart et publié aux éditions “Vie Ouvrière”, décembre 1969.

* Bulletin Unité, Nº 6, septembre 1969 [Les mercenaires de l’Empire, par Bsil Davidson].

* Dossier CNAPD, 1969, sur les Colonies Portugaises, avec la collaboration de P. Joyce.

* Informations, Correspondance Ouvrières, Nº 83, Juillet 1969.

* Vers la Libération. Au-delà de l’Homme Unidimensionnel, par Herbert Marcuse. Paris, Denoel / Gonthier. 1969 (Traduzido do inglês por Jean-Baptiste Grasset).

1970

Em 15 de Janeiro de 1970, Franco Nogueira foi substituído por Rui Patrício no Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

A 21 de Fevereiro houve manifestações em Lisboa contra as guerras coloniais e contra a guerra no Vietname.

Tendo o Comando Militar Português verificado em Março que a intensificação geral da guerra em Moçambique se tinha tornado evidente, e que os guerrilheiros empregavam cada vez mais minas, começou a preparar uma ofensiva de larga escala que se chamaria «Nó Górdio».

No dia 20 de Abril de 1970, os majores Pedro Passos, Silva Pereira e Magalhães Osório foram mortos pelo PAIGC, pondo termo à Operação Chão Manjaco, que envolvia negociações entre Spínola e o movimento nacionalista.

No dia 1º de Maio houve mais manifestações em Lisboa e Coimbra.

No seio do movimento nacionalista moçambicano a expulsão de Uria Simango deu aparentemente por terminada a crise na organização. A 14 de Maio, Samora Machel e Marcelino dos Santos foram nomeados presidente e vice-presidente da FRELIMO.

A 26 de Junho, realizou-se em Roma uma Conferência Internacional de Solidariedade para com os povos das Colónias Portuguesas. A conferência foi fulcral para o processo de reconhecimento dos movimentos de libertação pela comunidade internacional. E deu origem a uma nova fase no apoio material e político dos países de Leste. Pela FRELIMO, estiveram Marcelino dos Santos, Guebuza, Óscar Monteiro e outros militantes.

Mas no dia 1 de Julho, a tropa portuguesa desencadeou a maior operação militar jamais levada a cabo nas campanhas de África. Essa operação foi desencadeada no Planalto dos Macondes, e foi denominada “Operação Nó Górdio”, que veio a terminar em 6 de Agosto do mesmo ano. O resultado desta operação, na qual participou um numeroso dispositivo militar dos três ramos das Forças Armadas, foi objecto de grande controvérsia entre os principais responsáveis militares e civis pela manutenção da soberania portuguesa naquele território. Na sequência do “Nó Górdio” foi montada a “Operação Fronteira” que pretendia isolar o Planalto de Mueda dos Macondes do Tanganica, de modo a não permitir o trânsito a partir das bases nacionalistas no exterior. Mas enquanto as forças portuguesas exerciam o seu esforço no Norte através destas duas operações, a FRELIMO reorientava a sua prioridade para Tete, continuando a fazer pressão no Norte para não permitir que as forças portuguesas deslocassem efectivos para a região do Zambeze onde seria construída a barragem de Cabora Bassa. Aliás, alguns chefes do movimento afirmavam que o impedimento da construção da barragem continuava a ser o principal objectivo militar. Mas talvez fosse apenas um pronunciamento de diversão.

Nesse dia 1 de Julho, os dirigentes dos principais movimentos de libertação das colónias portuguesas foram recebidos em audiência pelo Papa Paulo VI. «Foi um choque horrível, um drama para Portugal. [O Papa] era um homem tortuoso [disserem os políticos portugueses do regime, e alguns do anti governo!]. Quando os recebeu, é evidente que sabia perfeitamente quem eram» (palavras de Pedro Feytor Pinto, da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, no governo de Marcelo Caetano.

Em Julho e Agosto de 1970, instalou-se na zona de Tete o Comando de Operações das Forças de Intervenção Portuguesas (COFI) para apoio às operações de segurança da referida barragem.

No dia 27 de Julho morreu António de Oliveira Salazar. (Nem sequer houve festa”. Já não valia a pena!)

Em 6 de Agosto de 1970, foi aprovada a revisão constitucional que elevava Angola e Moçambique à categoria de “Estados” com maior autonomia progressiva, como defendia Marcelo Caetano.

O MRPP, de inspiração maoísta, foi fundado em 18 de Setembro de 1970, numa casa da Estrada do Poço do Chão, em Benfica, Lisboa. Os fundadores terão sido Arnaldo Matos, Fernando Rosas e João Machado (funcionário dos TLP). Aliás, durante este ano e no seguinte, houve o aparecimento de um grande número de grupos de extrema-esquerda de orientação maoista ou marxista-leninista: URML, CARP-ml, PCP-ml, OCMLP, etc.

Em Outubro, ataque da ARA («Acção Revolucionária Armada», ligada ao PCP) aos navios «Cunene» e «Vera Cruz», que deviam seguir viagem para as colónias.

Ataque à base Aérea de Tancos.

Passados dois anos sobre a subida ao poder de Marcelo Caetano, tendo a P.I.D.E dado lugar a uma Direcção-Geral de Segurança (DGS), em Moçambique, nada mudara. Pelo contrário: a tensão entre as dioceses e o poder político não cessava de aumentar.

Em Agosto, o bispo de Vila Cabral foi abordado pelo sub-inspector da DGS que lhe manifestou o «profundo desgosto» do governador-geral (Engº. Arantes e Oliveira, ex-ministro das Obras Públicas de Salazar). Em causa estava o teor da chamada «Oração dos Fiéis», formulada pelo padre Manuel Carreira numa missa celebrada na catedral. Na versão policial, a oração teria tido a seguinte fórmula: «Pelos nossos governantes, para que não nos enganem com falsas promessas. Ouvi-nos Senhor!» Após ter-se informado do ocorrido, o bispo respondeu ao governador a 18 de Agosto. A referida oração fora «muito diversa» da reportada pela DGS. O seu teor exacto – confirmado por uma fotocópia enviada em anexo, – fora este: «Pelos chefes políticos, para que sejam sinceros e não enganem com falsas promessas.» Trata-se por sinal da «fórmula indicada» para o domingo em causa «pela revista portuguesa ‘Ora & Labora’, dos monges beneditinos de Singeverga, especializada em assuntos litúrgicos e aprovada pela competente Autoridade Eclesiástica da Metrópole». O bispo deixou escapar um comentário: «Não vejo que possa haver qualquer melindre nesta oração, que deve ter sido feita nesse domingo em milhares de igrejas do vasto espaço português, desde Braga a Timor, inclusive na Catedral de Lourenço Marques».

Começou a ser publicada a 20 de Setembro de 1970, em Lourenço Marques, a revista Tempo (n.º 1), revista fundada por Rui Cartaxana, Areosa Pena, Ribeiro Pacheco, Mota Lopes, e os fotógrafos jornalistas Ricardo Rangel, Kok Nam.

Vivia-se na época em Moçambique um ambiente político e social em efervescência causado pela morte de Salazar e pela subida ao poder de Marcelo Caetano – que, sem mudar o sistema político ia permitindo certas aberturas – como também pelo recrudescimento da luta de libertação nacional do movimento reorganizado política e militarmente que começava a estender as suas acções para novas zonas do país.

Os Assuntos Islâmicos em Moçambique passaram a estar na agenda dos políticos e dos militares. Fernando Amaro Monteiro passou a estar à frente de um Grupo de Trabalho sobre esses Assuntos. E no início de Maio de 1970, Suleiman Valy Mamede, presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa visita a Beira, Quelimane e o distrito de Moçambique, acabando por provocar mal-estar e alguns conflitos entre os muçulmanos locais.

Neste ano de 70 começaram a ser treinados os primeiros Grupos Especiais (GEs) para serem usados em combate do tipo comando nas suas áreas de origem.

Em Novembro, foi publicado um dossier do Conselho Ecuménico das Igrejas contra a Guerra em Moçambique.

Publicações 

* Recortes de jornais belgas, franceses e portugueses (1970) sobre a guerra colonial.

* Rapport de la délégation sibérienne, Léon Trotsky. Paris, Cahiers Mensuels Spartacus, n. 31, 2ème Série, Jan/Fév 1970 (Trotsky contre Lénine).

* Matérialisme dialectique, matérialisme historique et psychanalyse, par Wilhelm Reich. Paris, La Pensée Molle, 1970.

* Textes (1842-1847) de Karl Marx: Remarques sur la recente reglementation de la censure prussienne ; Lettres a ruge; Contribution a la critique de la Philosophie du droit de Hegel; Gloses marginales critiques à l’article «Le roi de Prusse et la reforme sociale» ; La critique moralisante et la morale critique. Paris, Spartacus, Cahiers Mensuels, 2e Séie, Nº 33, avril.mai 1970.

* Colonies Portugaises: La Victoire ou la mort. La Habana, Cuba, 1970 [Com os seguintes textos de Eduardo Mondlane: Nationalisme et Développement (Cap. 9); Le véritable défi (Cap.10)].

* Contribution à la critique de l’Idéologie ultra-gauche, par Jean Barrot. Paris, La Vieille Taupe, [1970?]

* Dossier sur les Colonies Portugaises. Analyse d’une lutte de libération. Préface de François Houtart. Bruxelles, E.V.O. (Vie Ouvrière), 1970.

* Espaces et Sociétés (Revue Critique Internationale de l’ Aménagement de l’ Architecture et de l’ Urbanisation). Direction: Henri Lefebvre, Anatole Kopp. Paris, Novembre 1970, n.º 1 (Na estante das Revistas). [A propósito desta revista, qual a situação das cidades africanas pós-coloniais e das cidades colonais de Angola e de Moçambique neste ano?).

* Informations / Corespondance Ouvrières. Paris, nº 89, janvier 1970, n.º 90, Fevrier 1970, n.º91-92, Mars-Avril, 1970, n.º 93, Mai 1970, n.º 94, Juin 1970, n.º 95-96 Juillet 1970, n.º 99, Novembre. 1970, N.º 97-98, Septembre-Octobre 1970 + Supplément «A propos dês Conseils Ouvriers, de la fin du travail et du mouvement révolutionnaire», n.º 100, Décembre 1970.

* Liaisons Internationales, n.º 5 (Bruxelles), Juillet-Aout 1970.

* «Por qué luchamos?», por Samora Machel, in: Tricontinental, La Habana, n.º 18, Mayo-Junio 1970. (Guerra Colonial).

*Portugal: Lutte de classe et guerre coloniale. Paris, La Vieille Taupe, 1970, 22p. (Guerra Colonial).

* War on three Fronts. The Fight against portuguese colonialism. Published by Committee for Freedom in Mozambique, Angola & Guiné, and the África Research Group SOAS-SU, London, [1970?]: [42p] com mapa e fotografias (Guerra Colonial).

* L’organisation de la lutte de classe dans la grève du Limbourg. Janvier / Fevrier 1970.

*La politique économique espagnole (1961-1969), par Maria Helena da Cunha Rato (Bruxelles, ULB, Mémoire de fin d’Études, Licence en sciences économiques, Option Mathématiques), 1970

* Le portugais a créé le métis! – a fantasia do lusotropicalismo)

* Pekin Information (!!!) (sobre a questão colonial portuguesa)

* Documentos do Comité Contre le Colonialisme et l’Apartheid

*Recortes de jornais europeus sobre a guerra de libertação em Moçambique.

* The Revolutions of Portuguese Africa, by Paul M. Whitaker (1970)

* A questão de Cabora Bassa. Dossier.

* Boletins Afrique Australe, do Comité Contre le Colonialisme et l’Apartheid.

* Les complices du colonialisme portugais.

* As esquerdas portuguesas e a questão colonial!

* Bibliothèque Africaine (Place Royal). Fundo sobre as Colónias portuguesas (Meu inventário)

*Luttes ouvrières aux Etats Unis, 1970. (Lutte de classe internationale, juin 1970)

* Novo Rumo, (órgão da A.R.T.) Nº 2, Junho -Julho 1970.

* Le Monde de l’Économie (Suplemento do jornal Le Monde, todo o ano de 1970).

* Contribution à la critique de l’Ideologie ultra-gauche, par Jean Barrot. Paris, La Vieille Taupe, Juillet 1969 / Avril 1970.

* Potere Operario, Ano II, Nº 17, 28 Marzo 4 Aprile, 1970.

* Classe ouvrière & Capital en Belgique, 1970. (La grève des mineurs du Limbourg)

* Journal du Mouvement du 27 mai. Un Été chaud, juillet 1970.

* Libération Afrique, Nº 2, 1970.

* Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO – Mensagem do Presidente ao Povo moçambicano, Militantes da Frelimo e combatentes das Forças Populares de Libertação de Moçambique, 25 de Setembro de 1970.


1971

(Paper de divulgação do Centro Tricontinental de Leuven francófona. Tradução e síntese da minha responsabilidade, EM)

«Em Janeiro, realizou-se a IX Semana de Estudos Missionários, no seminário da Boa Nova, em Valadares. Com vários painéis que contaram com a presença de Anselmo Borges, Alçada Baptista, Maria de Lurdes Pintasilgo, Teresa Santa Clara Gomes, Mário Murteira, general Emílio Cherye (embaixador do Chile em Lisboa) e D. António Ferreira Gomes. A DGS do Porto não perdeu pitada dos debates, sobre os quais elaborou um relatório de dez páginas, a pedido do próprio Silva Pais.

«Em 1971, trabalhavam em Moçambique (Beira e Tete) 39 «Padres Brancos» das mais diversas nacionalidades, tendo a seu cargo, nas dioceses de Tete e Beira, 7 missões, 2 paróquias suburbanas e o Centro Catequético da Nazaré.

«Os «Padres Brancos» deixaram Moçambique por não aceitarem as políticas de afirmação da soberania portuguesa em África. A decisão da sua saída verificou-se em Fevereiro de 1971 e foi aprovada em 15 de Maio pelo Superior e Conselho Geral da Congregação, que publicou uma carta em termos de denúncia das políticas levadas a cabo pelo Governo Português:

“(…) O Conselho Geral gostaria de vos participar uma decisão que foi levado a tomar (…) decidimos retirar de Moçambique os Padres Brancos (…) razões muito graves estão na origem desta decisão. Por um lado, a ambiguidade fundamental duma situação em que a nossa presença acaba por ser um contra-testemunho. Por outro, a sinceridade duma missão que se recusa, em África, a ter duas faces contraditórias (…) os missionários constatam que a confusão entre a Igreja e o Estado, mantida pela prática constante das autoridades civis e das autoridades religiosas é profundamente prejudicial à apresentação da mensagem evangélica e da verdadeira face da Igreja (…)”. Acrescenta ainda a referida carta: “(…) demasiadas vezes, certos actos do Ministério Apostólico, sobretudo os que teriam como objectivo a promoção de uma verdadeira justiça social são considerados como actividades subversivas e são, para certos militantes cristãos, com maiores contactos com a missão, pretexto para custosas vexações, até mesmo para prisões e maus tratos (…)”.

«A reacção do Poder português foi obviamente a de considerar a carta ofensiva da dignidade nacional e, mesmo, contrária aos princípios e leis constitucionais, determinando a expulsão dos autores, num prazo de 48 horas, de acordo com a Lei geral aplicável no Ultramar a qualquer indivíduo cuja presença se revelasse indesejável. Assim, reagia àquelas atitudes como interferências nas actividades do Estado.

«A Conferência Episcopal de Moçambique também reagiu com a emissão de um comunicado no dia 1 de Junho de 1971, manifestando o apreço e gratidão pela obra realizada pelos «Padres Brancos» em Moçambique ao longo de 25 anos, e lamentando a decisão de abandonarem o território. Neste documento, a Conferência Episcopal rejeitava ainda as razões apresentadas na carta, afirmava saber que a decisão fora tomada sob influência de “grupos de pressão” contra a vontade expressa da maioria dos membros da Igreja, reafirmava a sua isenção política e a independência perante o Estado, e felicitava-se por aquela atitude isolada não ter sido partilhada por outros que tinham realizado obra missionária e de promoção digna de maiores elogios.

«Mas já a “Mensagem do Conselho de Presbíteros da Beira”, datada de 13 de Agosto de 1971, assumia posição diferente da apresentada pela Conferência Episcopal cerca de dois meses antes. Esta mensagem, que expressava a inquietação religiosa, surge inserida na liberdade de expressão de que os religiosos gozavam, conjuntamente com o seu Bispo, no debate dos problemas da Igreja em Moçambique. Se por um lado nela se corroborava o conteúdo do comunicado da Conferência Episcopal relativamente ao trabalho realizado pelos Padres Brancos, por outro rejeitavam-se as acusações consideradas insultuosas contra Padres e Religiosas da Beira ou contra missionários, particularmente os não portugueses, considerados pelo Poder de “agentes de subversão”. Lamenta-se ainda a confusão do Evangelho com atitudes políticas, expressando o desejo de “(…) ver a Igreja em Moçambique mais independente e autónoma na sua própria esfera (…) livre dos compromissos e das ambiguidades que a desfiguram (…). Os Presbíteros da Beira ultrapassavam o historial de relacionamento entre a Santa Sé e o Poder português e os importantes instrumentos jurídicos que constituíam a Concordata e o Acordo Missionário».

No dia 7 de Abril de 1971, faleceu Josina Abiatar Machel (Mahasule). Tinha 25 anos. Foi dirigente do Destacamento Feminino da Frelimo, chefe da Secção de Assuntos Sociais, e responsável para as relações exteriores da Secção da Mulher da Frelimo.

15Em Abril, uma delegação da FRELIMO seguiu para Moscovo para participar no XXIV Congresso do PCUS.

Com 23 tripulantes a bordo, incluindo 13 moçambicanos, o navio costeiro Angoche, pertencendo à Companhia Nacional de Navegação, largou do porto de Nacala no dia 23 de Abril de 1971 pelas 17h30 com destino a Porto Amélia (Pemba). Para além de carga diversa, o Angoche levava nos porões material de guerra para ser utilizado pelas Forças Armadas Portuguesas na guerra contra a Frelimo. Estava prevista a chegada do navio ao porto de Pemba pelas 05h00 do dia seguinte, mas tal não se concretizaria. No dia 24, o petroleiro Esso Port Dickinson, com pavilhão americano, encontrou o navio à deriva e com fogo a bordo, entre Quelimane e a Beira, a 30 milhas da costa. Numa mensagem rádio, com a classificação de “urgentíssimo”, expedida a 6 de Maio de 1971, o Gabinete do Director da DGS em Lourenço Marques, informava a sede em Lisboa que depois do “primeiro exame ao navio verificaram-se vestígios de duas explosões provocadas por cargas colocadas, uma junto à chaminé do lado estibordo, por cima da ponte de comando, carga esta que ao explodir destruiu a ponte de comando e todo sistema de comunicação. A segunda carga foi colocada dentro do ventilador das máquinas. A primeira carga estava reforçada com granadas de fosfato.” A mensagem prosseguia: “As instalações da tripulação branca, situada ré, completamente pulverizadas. Se a tripulação se encontrava suas instalações no momento da explosão, não havia qualquer possibilidade de encontrá-la viva.” Referindo-se aos tripulantes moçambicanos que seguiam a bordo, a mensagem rádio da PIDE dizia: “Na proa onde situam instalações tripulação cor verifica-se que referida tripulação as abandonou precipitadamente visto encontrar-se espalhado longo mesmas vestes, tabaco, sapatos, etc., e três coletes salvação, faltando restantes em número que se julga entre 10 e 16.” Numa outra mensagem via rádio com a classificação de “urgente”, expedida da PIDE/DGS em Lourenço Marques para a sede na Rua Augusto Cardoso em Lisboa, a 11 de Maio de 1971, dava-se conta das medidas tomadas para se apurar a autoria do ataque ao Angoche, nomeadamente o pedido de colaboração dos serviços secretos da África do Sul (Bureau of State Security, BOSS) e da Rodésia (Central Intelligence Organization, CIO). A mesma mensagem citava o comandante do navio alemão, «Castor», que atracara no porto de Lourenço Marques no dia anterior (10 de Maio), como tendo “recebido notícia de rádio alemã, em género de aviso para toda a sua navegação, confirmando encontrarem-se em Dar-es-Salaam, 11 tripulantes vivos e dois mortos.” Três dias mais tarde (14 de Maio), a PIDE/DGS em Lourenço Marques informava a sede ter accionado “todos nossos meios Dar-es-Salaam e até agora não há confirmação presença tripulação naquela cidade.” Para além de revelar a presença de agentes seus em Dar-es-Salaam, a mesma mensagem da DGS indicava a existência de um outro elo de ligação seu em território tanzaniano: “Elemento nosso destacado Mtwara contactou funcionário capitania e outros naquela cidade. Todos os contactados ignoram totalmente qualquer facto.” Outras fontes, citadas pela DGS em mensagens anteriores expedidas de Lourenço Marques, faziam referência ao paradeiro da tripulação. Assim, a 4 de Maio, 11 dias após o assalto ao Angoche, a DGS dizia que “várias fontes referem Rádio Brazzaville ter noticiado chegada tripulação Angoche Dar-es-Salaam.” A 6 de Maio, os serviços de língua inglesa da Rádio Moscovo eram citados como tendo dito que “tripulação se encontra Zâmbia como reféns consequência sentença tribunal imposta capitão cubano.” O capitão cubano aqui referenciado era Pedro Rodriguez Peralta, membro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, capturado pelo exército português na Guiné em Novembro de 1969 quando combatia ao lado dos guerrilheiros do PAIGC. A Rádio Pequim em língua inglesa era citada na mesma mensagem como tendo anunciado que a tripulação do Angoche havia sido “raptada”. Face às persistentes referências de um possível envolvimento da Tanzânia, e da própria Frelimo na acção de sabotagem contra o Angoche, o governo tanzaniano viria a ser citado pelo jornal londrino, Daily Telegraph, como tendo dito “não ter a tripulação em sua posse.” O agente da PIDE/DGS, que em 1969 armadilhou a encomenda que viria a causar a morte a Eduardo Mondlane, também se envolveu nas investigações do caso Angoche. Trata-se de Casimiro Monteiro, o mesmo, nos finais da década de 50, havia executado o líder da oposição portuguesa, Humberto Delgado, em território espanhol. Com a data de 21 de Maio de 1971 e a classificação de “secreto”, Casimiro Monteiro apresentava um relatório, dando ênfase aos explosivos utilizados na sabotagem do navio, área, aliás, em que se especializara. Lê-se no relatório de Monteiro: “Sabotagem, explosivo tipo militar, material militar não atingido; deflagração entre 22h30 e 22h45 segundo vários relógios encontrados a bordo.” Monteiro conclui, afirmando que “a carga [explosiva] teria sido colocada antes da saída do navio de Nacala, accionada por relógio; sem cumplicidade a bordo; houve feridos pois manchas de sangue contra paredes; fuga precipitada tripulação indígena.” Tal como o relatório de Casimiro Monteiro deixa transparecer, as suspeitas da DGS passaram a centrar-se em elementos das Forças Armadas Portuguesas destacados em Nacala, importante base naval e aérea do regime colonial. Uma mensagem rádio expedida pela PIDE/DGS a 25 de Maio com a classificação de “secreto”, estabelecia uma ligação entra a sabotagem da Base Aérea de Tancos, ocorrida em Portugal a 8 de Março de 1971, e o caso Angoche: “Informo que Ângelo Manuel Rodrigues Sousa presumível autor sabotagem Tancos, mantinha estreitas relações amizade com António Vilar Pereira da Silva, seu companheiro inseparável presentemente furriel miliciano colocado Nacala. Tal facto aliado circunstância explosivos colocados Angoche serem mesma natureza utilizados Tancos e técnica empregada ser mesma ou semelhante. Sugere-se que Pereira da Silva deve ser alvo investigações minuciosas.” De facto, o referido furriel miliciano passou a ser vigiado pela DGS a qual, em mensagem expedida a 31 de Maio dava conta de que no “prosseguimento averiguações apurou-se existir Nampula furriel piloto aviador em serviço no AM [Aeródromo Militar] 52, Luís António Vilar Pereira da Silva. Chegou província [Moçambique], vindo Tancos, em 2 de Abril findo. Oficialmente, depois 14 Abril, não foi Nacala. Está sob vigilância, observando-se modo vida, companhias e sua possível deslocação particular Nacala.” As suspeitas que a DGS tinha em relação a António Vilar Pereira da Silva são, no entanto, postas em causa numa outra mensagem expedida a 2 de Junho, a qual dizia: “Não pode ser o furriel miliciano Luís António Vilar uma vez que estava em Mueda” quando se deu a sabotagem do Angoche. Todavia, as suspeitas do envolvimento de pessoal militar em Nacala não abrandaram. Uma mensagem da DGS com a data de 3 de Junho, dizia que no “prosseguimento averiguações a que se vem procedendo caso Angoche chegou nosso conhecimento que Batalhão Pára-quedista 32, Nacala, estão proceder averiguações, ignorando-se motivos. Conseguiu saber-se que as averiguações recaem com maior incidência sobre indivíduos que tem curso explosivos tirado em França. Deduz-se que assunto seja caso Angoche.” O gabinete do primeiro-ministro, Marcelo Caetano, informava o director da DGS a 29 de Julho de 1971 que “a sabotagem do Angoche foi realizada por um capitão, desertor de Moçambique.” Os documentos da PIDE/DGS disponíveis na Torre do Tombo pouco mais adiantam sobre o caso. Porém, houve fortes indícios de que a acção fora da responsabilidade da Acção Revolucionária Armada (ARA) desconhecendo-se ao certo o que terá sucedido após as explosões verificadas a bordo do Angoche. Já depois da mudança de regime em Portugal, um jornal português reproduziu, de um periódico chinês, a fotografia de um dos tripulantes do Angoche, alegadamente tirada em Nachingwea. Na cidade da Beira correram rumores de que um oficial da marinha de guerra portuguesa estaria envolvido ou pelo menos teria tido conhecimento dos preparativos do atentado contra o navio costeiro. A morte, em circunstâncias obscuras, de uma cidadã portuguesa, que trabalhava num clube nocturno da urbe, viria a adensar o mistério. Referenciada como amante do oficial em questão, a cidadã portuguesa teria cometido o suicídio, lançando-se do último andar do prédio popularmente conhecido por “mira-mortos” por se situar nas traseiras do cemitério. A autópsia, porém, revelou que a vítima havia sido estrangulada».

Em Maio de 1971 foi criada a zona de operações de Tete com sete Batalhões. O movimento nacionalista COREMO deixara de ter praticamente qualquer relevância neste ano de 1971.

Em Julho de 1971, uma delegação da FRELIMO, chefiada por Samora (com Guebuza, Manuel dos Santos e Sérgio Vieira) foram a Berlim para o VIII Congresso do PSUA.

As BR-PRP destruíram a delegação da NATO na Caparica, e provocaram uma explosão nos CTT em Lisboa.

Junto do Gabinete de Acção Psicológica, ligado ao Serviço de Centralização e de Coordenação de Informações de Moçambique foi criado o Grupo de Trabalho sobre Assuntos Islâmicos, dirigido por Fernando Amaro Monteiro.

Publicações

* Pour une théorie critique de la société (contre la force répressive). Herbert Marcuse. Paris Denoel / Gonthier, 1971 (Original em alemão, 1969, tradução de Cornélius Heim).

*Patrice Lumumba 10 ans après (Janvier 1961-Janvier 1971). Cercle du Libre-Examen de l’U.L.B.

* Cabora Bassa & The Stuggle for Southern África. London,1971.

* L’Eveil – The Afro-Asian Writers Bureau. Colombo, n.º 3, 1971, 32p. (Guerra Colonial).

* La Revolution en Afrique – Problemes et Perspectives. Pour João Mendes. Préface de Jean Suret-Canale, et Postface de Mohamed Harmel. Boulogne, Edição do Autor, (2ème Edition Développée), 1971: 283 p.

* Informations / Corespondance Ouvrières. Paris, nº 101-102, Janvier-Février 1971, n.º 103-104, Mars-Avril 1971, n.º 105, Mai 1971, n.º 106-107, Juin-Juillet 1971, n.º 108-109 Aout-Setembre 1971, n.º 110-111 Octobre-Novembre 1971.

* Pasta: Informations / Correspondance / Ouvrieres [I.C.O.]. Revista mensal editada em Montpellier. Comunistas conselhistas, Pannkoekistas, anti-stalinistas, etc. Com informações sobre Portugal e suas colónias e movimentos de libertação no contexto da guerra entre os dois blocos internacionais e da estratégia do governo português aliado ao capital internacional (RFA, USA, France …) de combater a guerrilha pelo desenvolvimento industrial (Cabora Bassa, Têxteis, etc.). (Todo o ano de 1971).

* J’Acuse, Nº 2, 15 fev / 15 mars 1971.

* Liaisons Internationales, N.º 7, janv-mars 1971.

* A Voz da Revolução [Órgão oficial da Frente de Libertação de Moçambique], Nº 2, Julho 1971, e n.º 5, Out 1971.

* L’U.N.I.T.A. en Angola. // Pas d’apartheid en Rhodésie?, in: Remarques Africaines (Bruxelles), n.º 373, 10/04/1971


[1] Camilo Mortágua, Andanças para a Liberdade (Vol. II – 1961-1974), Lisboa, Esfera do caos, 2013, p. 134 e p. 203.

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